Tabelas do Simples Nacional 2026: Anexos I a V explicados

Todas as faixas e alíquotas do Simples, anexo por anexo — e a fórmula que transforma a tabela no imposto que sai de verdade do seu caixa.

O Simples Nacional em 2026 continua com as tabelas da Lei Complementar 123: cinco anexos, seis faixas de faturamento e teto de R$ 4,8 milhões por ano. O que confunde a maioria dos empresários não é a tabela em si — é a diferença entre a alíquota nominal que aparece nela e a alíquota efetiva que você paga de fato. Neste guia estão as cinco tabelas completas e a conta explicada, com exemplos em reais.

Como ler as tabelas: RBT12 e alíquota efetiva

Duas definições resolvem 90% da confusão:

  • RBT12 é a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses. É ela — e não o faturamento do mês — que define em qual faixa da tabela sua empresa está.
  • Alíquota efetiva é o percentual que você realmente paga, sempre menor ou igual ao da tabela, graças à "parcela a deduzir".

A fórmula oficial é:

Alíquota efetiva = (RBT12 × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ RBT12

Ou seja: a tabela não funciona como "degraus secos". Ao subir de faixa, a parcela a deduzir amortece o aumento — ninguém pula de 6% para 11,2% de um mês para o outro.

Anexo I — Comércio

Lojas, e-commerce e revenda de mercadorias em geral.

FaixaRBT12Alíquota nominalParcela a deduzir
Até R$ 180.0004,00%
De 180.000,01 a 360.0007,30%R$ 5.940
De 360.000,01 a 720.0009,50%R$ 13.860
De 720.000,01 a 1.800.00010,70%R$ 22.500
De 1.800.000,01 a 3.600.00014,30%R$ 87.300
De 3.600.000,01 a 4.800.00019,00%R$ 378.000

Anexo II — Indústria

Fábricas e atividades industriais, incluindo confecção e panificação industrial.

FaixaRBT12Alíquota nominalParcela a deduzir
Até R$ 180.0004,50%
De 180.000,01 a 360.0007,80%R$ 5.940
De 360.000,01 a 720.00010,00%R$ 13.860
De 720.000,01 a 1.800.00011,20%R$ 22.500
De 1.800.000,01 a 3.600.00014,70%R$ 85.500
De 3.600.000,01 a 4.800.00030,00%R$ 720.000

Anexo III — Serviços "favorecidos"

A tabela mais vantajosa para serviços: academias, agências de viagem, manutenção, medicina, odontologia, psicologia e — para muitas atividades — quem passa no Fator R.

FaixaRBT12Alíquota nominalParcela a deduzir
Até R$ 180.0006,00%
De 180.000,01 a 360.00011,20%R$ 9.360
De 360.000,01 a 720.00013,50%R$ 17.640
De 720.000,01 a 1.800.00016,00%R$ 35.640
De 1.800.000,01 a 3.600.00021,00%R$ 125.640
De 3.600.000,01 a 4.800.00033,00%R$ 648.000

Anexo IV — Serviços com INSS por fora

Advocacia, construção de imóveis e obras, limpeza e vigilância. Atenção: neste anexo, a CPP (INSS patronal) não está incluída na guia — é paga à parte, o que muda bastante a conta final.

FaixaRBT12Alíquota nominalParcela a deduzir
Até R$ 180.0004,50%
De 180.000,01 a 360.0009,00%R$ 8.100
De 360.000,01 a 720.00010,20%R$ 12.420
De 720.000,01 a 1.800.00014,00%R$ 39.780
De 1.800.000,01 a 3.600.00022,00%R$ 183.780
De 3.600.000,01 a 4.800.00033,00%R$ 828.000

Anexo V — Serviços técnicos e intelectuais

Tecnologia, engenharia, publicidade, auditoria e afins — quando a folha de pagamento é pequena. Começa em 15,5%, por isso o Fator R é tão importante.

FaixaRBT12Alíquota nominalParcela a deduzir
Até R$ 180.00015,50%
De 180.000,01 a 360.00018,00%R$ 4.500
De 360.000,01 a 720.00019,50%R$ 9.900
De 720.000,01 a 1.800.00020,50%R$ 17.100
De 1.800.000,01 a 3.600.00023,00%R$ 62.100
De 3.600.000,01 a 4.800.00030,50%R$ 540.000

Fator R: a ponte entre o Anexo V e o Anexo III

Para muitas atividades de serviço, o enquadramento entre o Anexo III (a partir de 6%) e o Anexo V (a partir de 15,5%) depende do Fator R: a relação entre a folha de pagamento (incluindo pró-labore) e o faturamento, ambos dos últimos 12 meses. Folha ≥ 28% do faturamento → Anexo III. Abaixo disso → Anexo V. Um pró-labore bem calibrado pode literalmente cortar o imposto pela metade.

Exemplo em reais

Empresa de serviços no Anexo III com RBT12 de R$ 600 mil (3ª faixa): efetiva = (600.000 × 13,5% − 17.640) ÷ 600.000 = 10,56%. Num mês de R$ 50 mil, o DAS fica em R$ 5.280 — e não os R$ 6.750 que a alíquota "de tabela" sugere. Não faça essa conta na mão: use o simulador gratuito da Eleve.

Perguntas frequentes

A tabela do Simples mudou em 2026?

As tabelas e o teto de R$ 4,8 milhões seguem os da LC 123/2006. A grande mudança em andamento é a reforma tributária (CBS/IBS), que preserva o Simples mas cria novas decisões estratégicas — explicamos em outro artigo.

Posso mudar de anexo?

O anexo decorre da sua atividade (CNAE) e, nos casos do Fator R, da relação folha/faturamento — que você pode planejar. É exatamente o tipo de análise que fazemos no diagnóstico.

O que acontece se eu passar do teto?

Acima de R$ 4,8 milhões de RBT12, a empresa é desenquadrada do Simples e passa a apurar por Lucro Presumido ou Real. O ideal é planejar a transição antes de o teto chegar.

Se você quer saber em qual faixa a sua empresa está — e se existe caminho legal para pagar menos — a Eleve simula com os seus números no diagnóstico gratuito.

Leonardo Dornelles, contador responsável da Eleve
Leonardo Dornelles Contador responsável · CRC RS-105725/O-2 · Eleve Gestão Contábil

Sócio-fundador da Eleve Gestão Contábil. Engenheiro Mecânico (UCS) e Contador (ULBRA), especialista em Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças Corporativas e Mestre em Controladoria e Contabilidade pela UFRGS. Há mais de 10 anos atua em contabilidade, gestão financeira e controladoria, contribuindo para o sucesso das organizações com soluções estratégicas contábeis e financeiras e estruturação de controladoria — sempre alinhando as finanças às metas do negócio para gerar resultados sustentáveis.

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